A epicondilite lateral, ou cotovelo de tenista, é a sobrecarga e degeneração dos tendões que se prendem na parte de fora do cotovelo, responsáveis por estender o punho. Causa dor na parte externa do cotovelo ao pegar peso, apertar a mão ou torcer objetos, e atinge principalmente quem faz movimentos repetidos com o braço, não só tenistas. A maioria dos casos melhora com tratamento conservador e tempo; a cirurgia é exceção, reservada a casos resistentes.
Pegar uma caneca de café e sentir o cotovelo travar de dor. Apertar a mão de alguém e querer recuar. Torcer um pano e ter vontade de parar. Se isso te acontece, é provável que você esteja lidando com o cotovelo de tenista, ou epicondilite lateral, mesmo que nunca tenha encostado numa raquete.
Neste texto explico por que esse tendão do cotovelo dói, por que a recuperação exige paciência e por que correr para a cirurgia, na imensa maioria dos casos, não é o caminho.
O que é a epicondilite lateral
Na parte de fora do cotovelo, vários músculos que estendem o punho e os dedos se prendem por um tendão comum, no chamado epicôndilo lateral. Quando esse ponto é sobrecarregado de forma repetida, o tendão sofre microlesões e degeneração. Apesar do sufixo 'ite', que sugere inflamação, o problema é, na verdade, mais de desgaste do que de inflamação pura, e isso explica por que ele demora a sarar.
Por que dói mesmo longe das quadras
O nome engana. A maioria dos pacientes que atendo com epicondilite nunca jogou tênis. A causa real é o uso repetitivo do braço: ferramentas, faxina, cozinha, computador, carregar peso. Qualquer gesto repetido que exija segurar e torcer pode sobrecarregar esse tendão ao longo do tempo.
A epicondilite é uma tendinopatia, uma lesão de desgaste do tendão. Entender isso é libertador: significa que o tendão precisa de tempo e estímulo certo para se recuperar, e não de uma solução milagrosa imediata.
O que ajuda de verdade
- Ajustar as atividades que disparam a dor, sem parar completamente de usar o braço.
- Fortalecimento progressivo da musculatura do antebraço, o pilar do tratamento moderno.
- Fisioterapia e controle da dor para sustentar a reabilitação.
- Órteses (faixas) em situações específicas, para aliviar a tração sobre o tendão.
O lugar da infiltração e da imagem
A infiltração de corticoide alivia no curto prazo, mas não trata o desgaste e, repetida, pode enfraquecer o tendão. Por isso uso esse recurso com parcimônia. O ultrassom confirma o diagnóstico, avalia o grau de degeneração e orienta, quando indicado, terapias mais modernas aplicadas no ponto exato. A regra geral, porém, continua sendo: fortalecer e dar tempo ao tendão.
Se a dor no cotovelo já atrapalha gestos simples do dia a dia, saiba que ela tem tratamento, e quase sempre sem cirurgia. Agende uma avaliação e vamos montar, com calma e com a imagem ao nosso lado, o plano para o seu cotovelo voltar a funcionar sem dor.